IGP-M, IPCA e Selic: entenda a diferença

Inflação e taxas de juros (remuneração ao credor a operação) possuem uma relação íntima, definindo os ciclos de expansão e contração econômica. Para entender essa dinâmica, é necessário entender os índices de inflação e a taxa de juros básica. Nesse post explico melhor o que é cada um desses índices.

Índices de inflação

Para entender e medir a inflação foram criados diversos índices, sendo os principais deles o IGP-M e o IPCA.

IGP-M

É um índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas, sendo considerado um índice mais específico, se referindo os preços do atacado e dos industriais. O IGP-M agrega a variação do valor de bens como bens agropecuários por exemplo. Sendo assim, esse índice não pega o consumidor final, sendo um índice de certa forma reflete uma possível subida mais adiante ao consumidor final, pois ele pega também o início da cadeia de produção.

O IGP-M é um índice mais específico. Ele é composto por 3 outros índices: o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que mede o consumo da família; IPA (Índice de Preços por Atacado), que mede os preços do produtos do agronegócio e indústria – geralmente os commodities; e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), a variação no custo da construção civil – no setor de habitação. Ou seja, o IGP-M acompanha todas as etapas da produção, desde produção até a compra.

O índice é dividido da seguinte forma:

  • 60% para o IPA
  • 30% para o IPC
  • 10% para o INCC

IPCA

É considerado o índice oficial de inflação, sendo calculado pelo IBGE. É um índice mais amplo, medindo o todo da economia, mas focando no consumidor. Assim, ele leva em conta o preço que o consumidor final paga ao consumir produtos ou usar serviços, fazendo uma média.

O IPCA é um indicador que leva em conta o custo de vida de famílias de um a 40 salários mínimos, em regiões metropolitanas brasileiras, levando em conta itens como habitação, educação e transportes.

Como o IPCA é uma média de uma gama maior de itens, o aumento dos preços em determinado serviço pode ser compensado pela baixa em outro, tornando o índice mais estável quando comparado com o IGP-M, que é mais específico.

Relação IGP-M e IPCA

Para entender a relação do IPCA com IGP-M, é necessário entender que a inflação acaba sempre sofrendo um efeito dominó. Por exemplo, a inflação do milho acarreta acarreta o aumento nos custos de produção do frango. Sendo assim, a produção da carne de frango pode necessitar repassar ao consumidor final essa a subida nos custos de produção.

Assim, o aumento no índice IGP-M, um índice mais específico, pode refletir um possível aumento no IPCA, com alguma demora para materialização. Com isso, podemos ver aumentos no IPCA impulsionados pela inflação medida pelo IGP-M.

Porém, vale lembrar que o IGP-M é uma parte do que afeta o IPCA, sendo o IPCA um índice muito mais amplo. Como dito na explicação do IPCA, o preço de algum alimento pode ter aumentado, mas que pode ser compensado pela baixa no preço de algum serviço. Na média, o IPCA pode se manter estável, mesmo o IGP-M tendo um aumento significativo.

SELIC – o freio da inflação

A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. Para investidores, ela afeta a remuneração recebida pelos seus investimentos, a sua poupança e até as taxas de juros cobradas pelos bancos. A tomada de crédito se torna mais cara quando a Selic sobe, pois os tomadores de empréstimos precisam pagar mais juros; o contrário acontece quando a Selic cai, sendo uma possível indução para aumento da tomada de crédito e expansão da economia.

Sendo assim, quando a inflação oficial sobe muito, há tendência do Banco Central aumentar a Selic para diminuir a tomada de crédito e desacelerar a economia e a alta dos preços; ao baixar a taxa de juros básica, a ideia é aquecer a economia com melhor acesso crédito, tornando a circulação do dinheiro mais abundante.

Diferença entre CDI e Selic

A principal diferença entre o CDI e a Selic é o fato da Selic ser utilizada pelo governo para renumerar bancos que utilizam os títulos do Tesouro Nacional para emprestar dinheiro entre si, enquanto o CDI é a taxa de empréstimos de curto prazo realizados entre instituições financeiras, com recursos próprios, sem utilizar o Tesouro Nacional como meio.

Escrevi post somente sobre CDI e Selic.

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